quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O atro e os astros

por: Wile Ortros













Outra vez me aparece
para encher minha noite de alegria
tem tanto a dizer e nada a acrecentar
a inveja revela a alma,
que tentou mostrar santa e pura

de pronto um susto lhe arranco
não pedi que lançasse aos meus pés
vermelhos tapetes demagogos
elogios tépidos de pelego
fundamentos vesgos de um tolo

eu não temo a crueldade do mundo
me fez rir seu desespero espirituoso
não entende liberdade sonora
nem percebe a prisão em que está
pra variar,
ainda pensa viver num castelo

me olhou tão perto em detalhes
que um medo surgiu
rimas pobres também são verdades
pela voz de quem tem a dizer
não sou eu quem vai fazer de conta
que essa noite jamais existiu

não me importa a repressão democrática
me dou bem com o meu travesseiro
se sou o vento o resto é fumaça
da fuligem de quando fui fogo
pesam menos que um cisco no olho

vou dizer quem eu sou,
sabe o negro vazio do espaço?
as estrelas jamais me ofuscam
por bilhões que elas sejam
sou o plano em constante negrejo
sou o atro!

***por Wile Ortros

Um comentário:

  1. pois, até o vazio tem sua função. gosto da linha de pensamento!

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