por: Wile Ortros
Uma bela mulher que por mim chamava
não era viva nem era alma
caminhava em brumas violetas esverdeadas
aos seus pés flores murchavam
e me encantava sua doce voz.
Já sobre encanto,
nem pude ver a diante tamanho abismo,
caí,
se não morri,
foi pura sorte!
Estava quente o fundo do abismo
um calor confortável me trouxe um sono irresistível
arrastei pra mim duas pedras e as usei de travesseiro
era 15 de Fevereiro em 85,
quando acordei dentro de um sonho
com uma preguiça que carrego até hoje,
um mundo claro cheio de dúvidas
e eu adorava ouvir o vento rasgando as árvores
levantando poeiras vermelhas e o cheiro de fumaça
do diesel que velhos caminhões carburavam.
Por perder a esperança de acordar depressa desse sonho
Aprendi a língua dos seres que habitam esse novo mundo
mas aprender falar não quer dizer aprender usar palavras
por onde andei tentei de melhor maneira usa-las
Muros foram derrubados e um irmão nasceu
motivos e previsões não faltam pra este mundo acabar
mas antes que ele acabe, o tempo humano se esvai
existe aqui corrupção evidente e aprendemos desde cedo
todos anseiam pela oportunidade de também serem corruptos
Embora isso tudo afete a todos
todos se acomodam em seu estado único.
Seres amáveis, cativados, se aproximam e me conhecem
cuidam, castram, amam, limitam, apaixonam-se
me querem pelo que sou
mas querem mudar
e depois que mudam não querem mais
então parei de mudar, mas não parei de querer.
Solidão e silêncio alimentam minha forma
gosto de muitos,
preciso de todos.
me importo com poucos.
mas é mais fácil cuidar de flores
muitos me gostam,
todos precisam,
mas poucos se importam
se morreram as flores...
Cinquenta objetos brilhantes rasgaram os céus a noite passada
todos eles já sabem o que desejo
o simplíssismo do que me pertence
o que sei parece muito, por saber muito, sobre o que pouco sei,
mas o percurso se faz complexo.
uma sequência de acontecimentos inexplicáveis que expliquei,
me fez perceber que estar ocupado
avisado ou não,
te torna culpado por ser descuidado
e o amor vira ódio e vira amor de novo
existe uma lógica sentimentalista que é ignorada,
arranquei fora minha cabeça e meu coração
coloquei-os em frias bandejas idênticas,
uma em cada lado de uma balança,
observei por onze dias,
cada dia um pesava mais
mas nunca se equilibravam
reparei que o coração era mais lento
quando pesava, pesava muito
e a cabeça pensava que seu pouco peso
era leveza de consciência impune
e conscientemente deixava o coração pesar,
sangrei sem pena o coração com lamina
só então pesou minha consciência
para não matar o coração inteiro.
talvez de certo esteja errado, mas afinal fiquei exausto
sinto saudades das brumas venenosas que por outrora me encantavam
e de ver os pés de minha amada pisando flores semimortas.
leva-me daqui...
leva-me de volta!
***por: Wile Ortros
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
As correntes e as cinzas
Ouço sons de correntes
arrastadas sobre o telhado cinza de minha casa,
nesta casa minha fortuna empoeirada
é espalhada pelos cantos que esqueço (ou me nego) arrumar
cobertos por lençóis aracnídeos abandonados em meia costura.
Tentei em vão com um isqueiro aquecer as pontas de meus dedos
mas o gás não fora suficiente
meu cachorro impaciente não dorme, sente fome
semi-morto o coração não muda o pulso, venta frio em minhas veias.
Exclamo: "Vou atear fogo em tudo!"
Fumaças negrejam a noite e a casa em chamas,
eu também em chamas irresoluto,
ainda sinto geladas as pontas de meus dedos
desisto, e me nego varrer as cinzas!
Volto a minha poltrona chamuscada,
apago em único sopro, as chamas sobre as letras do teclado,
restando acesa apenas a tecla "enter" do canto inferior direito
aproveito para acender outro cigarro.
As correntes continuam estribilhando seus refrões em meu telhado.
Reclamo: "Mas que diabo! Posso eu ter o silêncio?"
Subo ao telhado e vejo duas almas se arrastando
presas as malditas correntes ruidosas
peço a uma delas que segure meu cigarro
quebro três correntes com os dentes e uma alma vai embora
a outra fica ali fumando
disse a ela : "te dou o cigarro mas limpe as cinzas"
deixo o cigarro e desço.
O cachorro magro agora dorme
das correntes restaram poucos elos que caíram pelas calhas do telhado
vou me deitar e aproveitar a cama ainda quente por conta do incêndio
três cobertores e dois travesseiros defumados
apago a luz, tudo confortável e o sono vem
derrepente e sem aviso abrem-se janelas e portas
enquanto um vento frio percorre toda casa
levanto, acendo a luz e vejo a casa toda limpa
sem teias, sem poeira, nem cinzas,
só um toco de cigarro num cinzeiro
apago a luz e volto a cama, com um pensamento que não cala...
"Maldita alma caridosa, podia ter lhe pedido que me aquecesse os dedos
***por Wile Ortros
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Acorde
meu violão vermelho não compõe
os que compõe não são meus
minhas cordas são pesadas
pra poder soar bem alto
o poema que escreveu
vomitando tuas verdades
exigindo mais de mim
se deixar soar meu grito
a resposta vai fluir
e esse tempo que calei
são pausas nas melodias
pra marcar bem os compassos
deste nosso amargo dia
por Wile Ortros
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Alma criminosa
Apesar de ser novo essa carne é surrada,
alma velha cansada por experiência tende,
querer compartilhar e buscar novidades
e o que vai ser novo em quingentésima vida?
Fecha teus olhos, ouça minha voz apenas!
Me vingarei da noite solitária e fria,
praticando crimes antes que me venha o dia.
Estarei tão próximo e tão distante quanto desejar
Reencontrar-se em palavras sussurradas.
Velada a solidão libertadora incide.
Não há como viver pra sempre tépido!
Foi meu conhaque quem me disse.
Que me importa a noite de luar?
Dos cigarros me restam bitucas
Quis saber sobre a morte em grande estilo,
quis ouvir teus suspiros
E o vento soprou sobre janelas diminutas.
Maldição, não me deixaste entradas!
***
alma velha cansada por experiência tende,
querer compartilhar e buscar novidades
e o que vai ser novo em quingentésima vida?
Fecha teus olhos, ouça minha voz apenas!
Me vingarei da noite solitária e fria,
praticando crimes antes que me venha o dia.
Estarei tão próximo e tão distante quanto desejar
Reencontrar-se em palavras sussurradas.
Velada a solidão libertadora incide.
Não há como viver pra sempre tépido!
Foi meu conhaque quem me disse.
Que me importa a noite de luar?
Dos cigarros me restam bitucas
Quis saber sobre a morte em grande estilo,
quis ouvir teus suspiros
E o vento soprou sobre janelas diminutas.
Maldição, não me deixaste entradas!
***
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Between us
existe um amplo território
dividindo a existência de uma novidade incontrolável
um comodismo incômodo me cerca
Sem palavras ou gestos
apenas olhares congelados
Quero sobrepujar a imundice dos meus fracassos
ter a oportunidade de realizar
Natural seria fazer tudo que sei
e o que gosto de saber
as oportunidades se escondem nos detalhes
como posso conflagrar sem destruir?
como posso fluir sem me espalhar?
é preciso que solte as minhas mãos
sei que quer me levantar
mas só vou seguir em frente
se sozinho caminhar
preciso romper todo esse território
e buscar o que há de novo
tenho três jóias num bolso
e um gato preto no outro
bagagem pra ir embora!
***
domingo, 3 de abril de 2011
Sem acordar
eu que sou tão bom em sonhar
não posso dormir pra sempre
se fosse possível não acordar
e permanecer o sonho
eu poderia ir mais longe
entrar na tua pele
fluir pelos teus ossos
olha, o sol da tarde engana
faz parar e admirar toda maravilha
de um dia seu que foi embora
Sem lirismo a rotina faz cansar
Mesmo eu bom sonhador
Uma hora é preciso acordar
Então o sol do manhã vem
ironicamente menos admirável que o da tarde
é um dia seu que chega
uma porta que se abre
na rotina sem lirismo
sem o fogo nem o vento
é a terra quem comanda
se a agua não vier pra destruir
Meus pedaços se espalham
para em teus ossos fluir
Tua pele me recebe
e meus olhos bem abertos
sonham sem estar dormindo
então eu posso ir mais longe
mesmo estando aqui tão perto
***
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Digressão
Perceba!
tudo esta em tuas mãos
só você pode escolher
seguir em frente ou desistir
mas cada escolha é um caminho
pois seu tempo vai passar
carregado de frustrações e medo
ou focado como fogo
sê um touro pise forte
nada vai te derrubar
não seja! Erga!
Um alicerce forte
vá em frente ganhe o mundo
Siga o norte, não o pólo
sua seta você faz
Honra teus brancos cabelos
já em paz, podes morrer
Sem divagações relapsas
Menos digressões inúteis
viva a decisão que escolhe
vá depressa sem temer
***
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