quarta-feira, 20 de julho de 2011

Acorde














meu violão vermelho não compõe
os que compõe não são meus
minhas cordas são pesadas
pra poder soar bem alto
o poema que escreveu

vomitando tuas verdades
exigindo mais de mim
se deixar soar meu grito
a resposta vai fluir

e esse tempo que calei
são pausas nas melodias
pra marcar bem os compassos
deste nosso amargo dia

por Wile Ortros

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Alma criminosa




















Apesar de ser novo essa carne é surrada,
alma velha cansada por experiência tende,
querer compartilhar e buscar novidades
e o que vai ser novo em quingentésima vida?

Fecha teus olhos, ouça minha voz apenas!
Me vingarei da noite solitária e fria,
praticando crimes antes que me venha o dia.
Estarei tão próximo e tão distante quanto desejar

Reencontrar-se em palavras sussurradas.
Velada a solidão libertadora incide.
Não há como viver pra sempre tépido!
Foi meu conhaque quem me disse.

Que me importa a noite de luar?
Dos cigarros me restam bitucas
Quis saber sobre a morte em grande estilo,
quis ouvir teus suspiros

E o vento soprou sobre janelas diminutas.
Maldição, não me deixaste entradas!



***

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Between us














existe um amplo território
dividindo a existência de uma novidade incontrolável
um comodismo incômodo me cerca
Sem palavras ou gestos
apenas olhares congelados

Quero sobrepujar a imundice dos meus fracassos
ter a oportunidade de realizar
Natural seria fazer tudo que sei
e o que gosto de saber

as oportunidades se escondem nos detalhes
como posso conflagrar sem destruir?
como posso fluir sem me espalhar?

é preciso que solte as minhas mãos
sei que quer me levantar
mas só vou seguir em frente
se sozinho caminhar

preciso romper todo esse território
e buscar o que há de novo
tenho três jóias num bolso
e um gato preto no outro

bagagem pra ir embora!

***

domingo, 3 de abril de 2011

Sem acordar

















eu que sou tão bom em sonhar
não posso dormir pra sempre
se fosse possível não acordar
e permanecer o sonho

eu poderia ir mais longe
entrar na tua pele
fluir pelos teus ossos

olha, o sol da tarde engana
faz parar e admirar toda maravilha
de um dia seu que foi embora

Sem lirismo a rotina faz cansar
Mesmo eu bom sonhador
Uma hora é preciso acordar

Então o sol do manhã vem
ironicamente menos admirável que o da tarde

é um dia seu que chega
uma porta que se abre
na rotina sem lirismo
sem o fogo nem o vento

é a terra quem comanda
se a agua não vier pra destruir
Meus pedaços se espalham
para em teus ossos fluir

Tua pele me recebe
e meus olhos bem abertos
sonham sem estar dormindo
então eu posso ir mais longe
mesmo estando aqui tão perto

 ***

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Digressão












Perceba!
tudo esta em tuas mãos
só você pode escolher
seguir em frente ou desistir

mas cada escolha é um caminho
pois seu tempo vai passar
carregado de frustrações e medo
ou focado como fogo

sê um touro pise forte
nada vai te derrubar
não seja! Erga!
Um alicerce forte
vá em frente ganhe o mundo

Siga o norte, não o pólo
sua seta você faz
Honra teus brancos cabelos
já em paz, podes morrer

Sem divagações relapsas
Menos digressões inúteis
viva a decisão que escolhe
vá depressa sem temer


 ***

sábado, 12 de março de 2011

Nostalgia nova








Aproveitar caminhos insurgentes
Confirmar a própria verdade
sem ar, sem tempo, sem querer, sem poder
Desperdice um pouco mais de tempo
para descobrir que não tem fim

Ao despreocupar-se não morre.
É avesso, sente a vida!
Não perde a ordem.
Não gasta a sorte.
Lembrando-se do que não sabia.

Permita nova vida!
Mas pegue tudo que puder levar nas tuas mãos.

Um adeus num sussurro
Marca mais que um sorriso.
Sem olhar pra trás,
Sem voltar à porta,
Sem causar-se ou causar mágoas

Adiante está o antigo início
Reencontre-o melhor do que estava
Distantes saudades se foram
De perto saudades retornam

Tudo continua distante
Mas não se pode tocar o horizonte,
pois sempre haverá algo adiante
se tudo estiver certo e insurgente

está como deveria ser
e então...
Vamos embora?

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Sal e Areia













Grânulos por gránulos vou me esparramar
fugir da rotina monástica dos uniformes
dos exageros de consumo e de usura,
quero isso fora de minha mochila!

Vou viver a sorte e conhecer a vida
Arrancar de mim os limites humanos
Descansar intrigado com verdade empírica
Salário é sal sob meus pés

Coletando histórias minimalistas
preservando cousas que são esquecidas
Vou sentir na pele intempéries extremas
e cada por de sol terá beleza lírica

Ao reparar que somos ínfimos grânulos
Sou o que foi lançado longe ao vento
Circulei amplos delineados movimentos
E nunca mais ousei pousar como poeira!


***